Ava dificilmente se permitia sentir todas as coisas, ou talvez simplesmente não sabia sentir todas elas. Algumas coisas ela transformava em outras para que pudesse entender. E mágoa vinda das pessoas que amava era uma nuvem de melancolia delicada, na maioria das vezes.
Chovia e o céu e as ruas estavam escuros... e o que se via apenas eram pequenas luzes das casas e dos pos postes e dos carros e de todo o resto mais - milhões de estrelas incandescentes e fluorescentes por toda a cidade.
Chovia forte, e talvez, simplesmente, tudo estivesse morrendo debaixo daquela água. Talvez, simplesmente, tudo estivesse morrendo em qualquer lugar... e os vermes comendo das carnes frias e podres. Talvez esse era o ciclo certo das coisas. Talvez Ava... Não. Não dava pra saber.
E Leo era durão, um covarde durão. Cheio de orgulho e de uma natureza áspera. Ava também era áspera. Áspera e fria, e gostava de se sentir leve ao vento, livre. Leo não era uma corrente de ar quente, mas Leo, de certa forma, a fazia sentir-se presa demais a algo, e Ava não gostava disso.
As coisas que diziam eram naturalmente e propositalmente incisivas, quase sempre. E as coisas que faziam eram individuais e egoístas. Leo era covarde demais para resolver as coisas. Ava era uma fúria enlouquecida, que não aguentava ouvir o tique do relógio por algumas horas até adormecer. Ava não aguentaria o gato, ou as luzes, ou o barulho da rua e da chuva. E Leo, cheio de úlceras, subia no degrau mais alto, e tinha o grito mais grave, mas era orgulhoso demais para usar isso antes de Ava.
Ava era insensível e indelicada na maioria das vezes. Ava mais parecia um tufão louco, cheia demais de sentimentos que nem mesmo sabia sentir. Ava não gostava das pessoas, e as pessoas não gostavam de Ava.
Tudo era impensado demais no mundo.
Ps:Este conto faz parte de uma série de contos de minha autoria chamada "Contos de amor (adjetivo)", que pode ser encontrada em mais 4 postagens no arquivo do blog, a partir do mês de Abril. Talvez para entender melhor (ou não) será preciso ler alguns outros.
Hoje é terça-feira, mas ontem foi segunda-feira...
...e segunda é dia de Notícias Populares! Não lembro de ter falado sobre isso abertamente, mas tenho um estranho interesse pelas notícias da sessão "popular" do Terra. Notícias que fogem do comum (mesmo do comum das notícias incomuns e "cômicas" que fazem o jornalista dar uma risadinha discretíssima nos jornais da globo), como li há um bom tempo sobre um garoto de cinco anos que roubou o caminhão da avó (e o dirigiu), ou sobre o aumento do preço da maconha devido à guerra do Líbano.
Claro que várias manchetes me atraíram, acabei lendo algumas mais antigas, a seleção foi árdua, mas valeu a pena. Resolvi que escolheria uma notícia de segunda-feira, mesmo quase fresquinha como pão saído do forno. A dúvida ficou entre "Yorkshire terrier é eleita Miss Canina na Costa Rica" e "Grã-Bretanha: caracóis velocistas disputam corrida". Claro que os caracóis ganharam, já que odeio qualquer tipo de cachorro pequeno, frescurento, bonitinho e mimado. Yorkshires, Poodles, Piquineses (acho que escreve assim) e muitos (muitos mesmo) outros... essas coisinhas cabeludas, parecidas com salsichinhas, cheias de dentes, com latidos irritantes, que me fazer querer chutá-las. Enfim!
Basicamente essa é a 27ª vez que caracóis se reúnem para essa corrida inútil que é realizada todos os anos na cidade de Congham (Conga!).
Com direito a banda de música e 170 invertebrados, a corrida aconteceu no último final-de-semana na Grã-Bretanha.
O engraçado é que os moradores locais acreditam que seus caracóis são mais velozes, porque o solo da região favorece a criação de caracóis velocistas, ou seja, isso realmente faz diferença na vida deles, não é só mais uma distração anual... isso é coisa de criança e velho europeu, treinar caracóis, usar fantasias medievais numa festa anual; basicamente isso.
O campeonato ocorre em etapas, cada etapa com 15 caracóis competindo, que têm que chegar à linha exterior de um círculo de 33cm de raio antes dos outros. O ringue é uma toalha de mesa molhada com um círculo pintado.
O guri dono do caracol vencedor, que tem 13 anos, colocou um nome finlandês no seu bichinho de estimação, Heikki Kovalainen, mas fez questão de deixar claro que o caracol é inglês. Mais ou menos como os brasileiros, no cartório. Além disso o guri ficou meio triste porque o caracol dele fez o trajeto em 3min e 02seg e não bateu o recorde mundial, que é 2min e 09seg. (Vai estudar, vagabundo, em vez de brincar no jardim!)
Minha versão de notícia lida no Terra, com foto extraída do mesmo.
Assisti mais um remake hoje: Os indomáveis (3:10 to Yuma). Na verdade, acabei de levantar do sofá, então ainda não processei muito bem. Basicamente, você assiste um filme de velho oeste esperando 'um' mocinho e 'um' bandido. Você. O único tipo de filme que eu assisto esperando alguma coisa é Comédia Romântica, que segue sempre a mesma estrutura vagabunda. Mas eu não assisto mais esse tipo de filme, não há com o que me preocupar. Então você fica achando o mocinho e tal, e o bandido e tal, e de repente, BUM! Nada de mocinho. Basicamente, os 'homens de bem' são tão bandidos quanto os bandidos e os bandidos também têm coração. Ainda bem que não foi estabelecido um maniqueísmo.
Basicamente o filme conta a história do rancheiro Dan que tem uma dívida por causa da seca e está prestes a perder seu rancho, então ele aceita escoltar um líder de uma gangue até outra cidade, para pegar o trem das 3:10h para Yuma, uma prisão.
É um remake do filme 'Galante e Sanguinário' (3:10 to Yuma, também) de 1953, que tem um título bem característico da década de cinqüenta, cá pra nós. É um filme de faroeste, como já deu pra perceber, de 2007, que estreou em fevereiro de 2008. Dirigido por James Mangold (diretor também de Johnny e June, sobre a vida de Johnny Cash), com distribuidora Focus Filmes. Estrelado por Russel Crowe (Maximus, Maximus!), Christian Bale, Vinessa Shaw, Peter Fonda, Gretchen Mol, Alan Tudyk e Logan Lerman. Luke Wilson também faz uma ponta... E gostaria de uma salva depalmas para Ben Foster, "que vive o pistoleiro Charlie Prince com uma intensidade que roubaria todas as cenas, não fossem os astros principais quem são." (Omelete) Obrigada, Omelete, você encontrou as palavras que eu procurei enquanto assistia o filme!
E um belo peito de frango à parmegiana, regado de purê. Pois isso me lembra os jantares de quinta-feira na casa da minha avó... Num certo jantar a discussão foi sobre a pronúncia correta de batatas cozidas, machucadas e cozidas novamente no leite com uma pitada de sal e uma colher de manteiga: Purê ou 'pirê'? Pois bem... a explicação foi que o nome vem do francês, por isso 'pirê', porque o 'u' tem mais ou menos o som de um 'i' na língua francesa. Fomos no wikipedia confirmar. Procurei por purê de batatas na versão em português, que só me deu a receita basicamente, então procurei por purée na versão em francês só pra ver a pronúncia, mas também não achei nada. Então coloquei purée na versão em português e veio Galicismo. Basicamente, purê tem origem francêsa, por isso as pessoas falam purée ('pirê'), mesmo escrevendo purê. Mas falar 'pirê' é galicismo (ou francesismo), um vício de linguagem em que se usa a palavra proveniente do francês ao invés de uma palavra equivalente na própria língua (purê). No fim da pesquisa só restou uma dúvida: Batata é pomme de terre em francês e pomme é maçã, então a batata seria uma parente próxima da maçã (mesmo a batata sendo da família Solanaceae e a maçã sendo da Rosaceae)?
The Night Of The Living Dead Gravado em 1990, esse filme é um remake de uma versão dirigida por George Romero e escrita pelo mesmo juntamente com John Russo em 1968. Dirigido por Tom Savini, com roteiro de Romero, a nova versão é colorida e tem duração de 92 min. Regado de péssimos atores (Tony Todd e Patricia Tallman, por exemplo) e de uma trilha sonora típica dos anos 90 (cruel, metálica e esquisitinha), é mais um filme sobre zumbis e resistência humana de Romero, como muitos outros, que mostra a capacidade e o insinto de sobrevivência humano. Não sou lá uma pessoa entendida de filmes de terror e de zumbi, por isso pedi uma ajudinha ao dickinside. Ele me disse que eu posso falar também sobre o quanto uma pessoa pode aprender assistindo um filme de Romero. São filmes meio baratos, muitas vezes, mas sempre, mesmo que subliminarmente, te passam alguma coisa. E esse retomou a história da racionalidade que escrevi comparando animais e humanos dia 10/02/08. Quem seriam os espertalhões, na verdade? Os seres humanos se acham gostosões, dominando, possuindo, com as bocas gordurosas de prazer. Enquanto os zumbis, sem consciência ou racionalidade alguma, "zumbizando" por aí, movidos pelo instinto, matam para se nutrir. Não escalam muros, ou abrem maçanetas, apenas empurram, agarram e mordem - estas são suas armas. E os seres humanos começam o filme também movidos a instindo, matando para sobreviver e escapar, assustados como coelhinhos. E então, o medo acaba sendo tomado pelo instinto cruel humano - passa-se a matar zumbis por prazer quando tudo está mais ou menos sob controle. O filme mostra em sua cena final uma espécie de feirinha - aquelas feirinhas de interior rural americanas - com uma roda de pessoas com varas circulando e cutucando dois zumbis cambaleantes, zumbis pendurados em uma árvore tomando tiros, e só, até onde me lembro, e a atriz principal falando para si mesma "Eles são nós. Nós somos eles.", ou algo parecido. Talvez não possamos condenar completamente os humanos de se divertir matando zumbis, zumbis estes que, mesmo sem a consciência, mataram seus entes queridos e amigos e conhecidos ou os transformaram em zumbis também. É um ato cruel, natural do ser humano, queira ou não. Se um seu cachorro faz xixi dentro de casa mesmo quando você ensinou-o a não fazer, você bate nele, mesmo sabendo que ele é um animal irracional movido por instinto. Então por que você bate? Então, se não se "mata" zumbis (que por sinal já são seres "mortos", pelo que entendo) os zumbis continuam "vivendo" entre nós e nos matando e matando outros seres vivos... É uma lei de sobrevivência nova, onde nós não estaríamos no topo da cadeia alimentar - e agora?! É difícil aceitar que não estamos mais no topo, mesmo que estejamos abaixo de nós mesmos, só que numa versão melhorada-piorada. O filme é melhor que esses modernos hollywoodianos cheios de zumbis tecnológicos, avançadíssimos, que em alguns roteiros só aparecem quando escurece. Romero é dito um dos melhores, e devo concordar, apesar de me incomodar extremamente a atuação, a trilha sonora e alguns detalhes dos zumbis.
Ok, chega de zumbis, vamos falar sobre comida! Por volta das 15:30 o cheiro chegou ao quarto, onde eu cortava uma tela de acetato. Não tinha fome, mas fiquei ansiosa. Uma agonia tão imensa que achei que o mundo acabaria antes que o risoto ficasse pronto, de tão lentamente que o tempo passaria dali então. Sentia o sabor do funghi, e do shitake, do creme de leite... e sentia o arroz arbóreo entre meus dentes, cada grão, e montes de saliva. O azeite, a cebola picada e dourada, e o seu cheiro maravilhoso espalhado pela atmosfera do apartamento. Então, de repente, "Está pronto". Larguei o que tinha na mão e não esperei que terminasse de colocar os talheres na mesa e servi meu prato antes que pensasse em servir e servi o seu prato e sentei na mesa e não quis saber de suco e ganhei um pouco de queijo ralado, muito pouco (já que sou alérgica) e então comi. E mesmo satisfeita, comi mais um prato cheio, a mesma quantidade do primeiro prato. A sorte é que sobrou e quando terminar a postagem vou comer mais risoto de funghi e shitake.
Eu sempre tive umas invenções meio malucas, como uma reforma no Masturbação Mental que começou às 23h e terminou às 4h. Sobrevivi à reforma de virada, com muita dormência na bunda e muita dor no pescoço graças a um lanchinho, claro, e à trilha sonora do Battlefield Vietnam II. E é com muito orgulho que entrego o Masturbação Mental. Novo, não. Nada de diferente. O mesmo tesão! Agora, claro, colorido com uma foto de Milla Jovovich num layout mais emocionante que o cinzento de Marilyn Monroe. E como vocês já devem ter notado, ali, à esquerda vocês irão encontrar uma seção chamada "Hotdog, Jack!". Essa seção é a maior novidade do Masturbação Mental de todos os tempos... Isso quer dizer que agora nós temos postagens do dia, como pratos especiais num restaurante! Na Segunda-feira nós teremos as Notícias Populares, pra começar a semana bem-informados e colorir esse dia basicamente idiota com tons mais quentes. Na Sexta-feira, que já está todo mundo de saco cheio, a gente puxa um Bagulho Bom! pra acalmar os nervos e cuidar da saúde do cosmos. No Domingão eu falo de Pão e Circo. Um filme, bom, ruim, catastrófico, e o que comi no almoço, já que (quase) todos os domingos minha mãezinha cozinha pra mim. Fora isso, um perfil novo, mais duas salsichas, um contador de tijolos e a promessa de muita emoção.